Archive for Maio, 2006

Ferreira Gullar, simplesmente espetacular!

Ontem teve início um seminário sobre artes visuais, elaborado por alunos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e realizado no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

Na noite de abertura uma mesa composta por Glória Ferreira (UFRJ), Latuf Isaías Mucci (UFF) e, nada mais nada menos que FERREIRA GULLAR (ele mesmo; em carne, osso e óculos).

Antes de iniciar, os palestrantes ficaram sentados na primeira fila. Nesse momento tive uma vontade imensa de ir até lá e pedir para Ferreira Gullar falar sobre a ditadura militar, sobre a política, a música, os amigos… mas um estado de “estátua, colada na cadeira” não me permitiu.

Chamaram os integrantes da mesa de debate para o palco e em seguida começaram as palestras. Ferreira Gullar seria o último a falar.

Ouvi o primeiro palestrante com um pouco de tédio, o segundo com um pouco mais de interesse e o terceiro em total estado de entusiasmo. Ferreira Gullar cativa o público com facilidade pois conversa, olha nos olhos, demonstra sua alegria e indignação, fala do que sabe, do que vivenciou como participante da história… e mais, é muito inteligente!

Ferreira Gullar falou sobre a história da arte, os paradigmas, a “auto-explicatividade” da arte, a capacidade e alcance da expressão artística, a ligação da arte com a vida, a política, a sociedade, a cultura…

Ferreira Gullar é poeta e como tal, além das singulares palavras sobre as artes visuais, disse coisas lindas (pena eu não ter levado um gravador). Anotei algumas frases:

“Fazer arte é não saber”.

“Os significados não existem no ar, estão na linguagem.”

“Não existe arte sem expressão, mas nem toda expressão é arte”. – Nesse momento ele criticava um tipo de arte chamada contemporânea em que, para ele, existe expressão mas não existe significado. Expressar-se, segundo ele pode ou não ser arte. Brinca dizendo que se alguém pisar em seu pé e ele gritar ele estará se expressando, mas nem por isso será arte.

“Arte é invenção”.

Entrei naquele teatro cheia de expectativas e sai realizada, apenas com um gostinho de quero mais.

Não percam o artigo de Ferreira Gullar sobre arte!

2 comments Maio 18, 2006

“o livro dos abraços”

O Livro dos Abraços de Eduardo Galeano é um livro pra nunca acabar de ler. Tenho encontrado histórias, significados e sentimentos incríveis nessas leituras.

É um livro que me acompanha nas intermináveis esperas na lavanderia (bendita lavanderia que me deixa tanto tempo para ler), no metrô, no sofá… Não consigo sair de casa sem ele. Um instante que seja é o suficiente para que seja folheado e experimentado. É uma leitura que instiga, que faz refletir, que trata da América Latina sem máscaras, que trata de histórias reais e de histórias magníficas.

É um livro construído com pequenas passagens, reflexões, histórias de viagem e de vida. É um livro que entrelaça quem lê.

E não acaba nunca porque sempre dá vontade de reler aquela parte, ou a outra, e de procurar aquela frase memorável…

6 comments Maio 17, 2006

roda viva

Chico Buarque me desculpe por usar a referência da música “Roda Viva” (de tanto significado político) num texto tão simplório, mas não pude evitar.

“Tem dias que a gente se sente…” com vontade de esconder a cabeça embaixo da terra, como um avestruz; de rebobinar a fita e editar; de, num soluço, engolir as palavras e apagá-las da memória do ouvinte… mas, como diz alguém por aí, “a palavra é uma bala sem volta”.

Ô palavra que não desconfia! Que parte de não sei onde como uma flecha e sai desgovernada pela boca em frações mínimas de segundos.

Na verdade estou até fazendo um drama mais mexicano do que o evento merece, mas se não exagerar um pouquinho fica sem graça.

Bem, estava eu num dia feliz, em uma consulta feliz de Peter com sua veterinária feliz, e, numa conversa informal, falávamos de alugar apartamento, das “bizarrisses” que se encontra por aí (tetos baixos, banheiros apertados, péssima distribuição das peças, etc), falamos sobre o lugar que Renam, Peter e eu moramos, que para vacinar Peter tínhamos que trazer a anti-rábica de Salvador… blá, blá. Nisso Peter já estava deitado, esperando a vacina, e a doutora com a seringa na mão, apalpando o dorso de Peter para aplicar a injeção. De repente me pergunta: “onde é mesmo?” e eu respondo, sem pestanejar: “acho que é no dorso!”. Logo que acabei de falar, me dei conta da gafe (ela é veterinária, é óbvio que sabe onde aplicar a vacina ), e falei um sonoro “ops, foi mal”. Ela queria saber “onde mesmo” nós tínhamos morado (dã!). Depois da gafe, com um constrangimento contido e fingindo nem estar envergonhada com meu ataque de “Magda” respondi o nome da cidade do interior da Bahia em que moramos.

Mas a vida continua e, apesar de envergonhada, “eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá”, e sábado que vem tem outra consulta ;P

2 comments Maio 9, 2006

adrenalina

No domingo passei por uma maratona de concursos, um pela manhã e outro à tarde em locais diferentes e com pouco tempo entre o término de um e o início de outro. Tudo indicava que seria um dia tranqüilo, com pouca emoção, apenas aquele nervosismo peculiar aos dias de prova (que inquietam até os que não estudaram muito como eu). Ledo engano. A maratona não foi só de provas, cálculos e redações, foi também de resistência física.

Esteve comigo nesse dia de teste Mariana, que veio de Salvador para fazer um dos concursos, o do período da manhã. Resolvemos ir de metrô até o local da prova, mas fomos prevenidas, no dia anterior nos informamos sobre horários de funcionamento, cronometramos o tempo de viagem, visitamos o local da prova (com o acompanhamento e auxílio de nossos respectivos amadinhos, é claro), tudo para não termos surpresas no dia “D”. Pois bem, chega o bendito domingo, saimos cedinho de casa, mas o metrô… chegou na estação final faltando menos de 10 minutos para o início da prova. Foi uma correria só (literalmente falando). Mariana e eu não podíamos ficar para trás e entramos na corrida também. Faltavam 3 minutos para o início da prova e ainda não estávamos no prédio, mas não desistimos. Mari já estava com dor nos pés por causa da sandalha que calçava, mas foi até o fim. Chegamos a tempo!

Finda a prova nos encontramos e voltamos para o metrô, agora eu seguiria para o outro local de prova e ela iria para um merecido descanso na beira mar. O metrô demorava e fomos ficando inquietas (Mari ficou mais que eu até). Imbuida ainda do “clima olímpico” do início do dia, Mari me acompanhou até o novo local de prova. No mesmo esquema de antes descemos do metrô correndo, mas desta vez ainda tinhamos que pegar um táxi (sorte que no rio tem muito e que o motorista acelerou um pouquinho quando falei que ia fazer um concurso). A adrenalina estava alta, uma mistura de cansaço com pressa, nem sei explicar. Quando entrei na sala ainda faltavam alguns minutos para o início da prova, mas já nem pude escolher um lugar, a sala estava lotada.
Se passamos no(s) concurso(s) ainda não sei, depende da nota de corte, vários fatores, mas no teste físico (línguas de fora à parte) tenho certeza que estamos aprovadas.

;)

1 comment Maio 4, 2006


 

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